Blog do Ursão


Mulheres na política: Brasil é 107º em ranking

Brasil ficou em 107º lugar em um ranking divulgado nesta semana sobre a percentagem de mulheres nas câmaras de deputados de 187 países até o fim do ano passado.
A lista foi elaborada a partir dos dados das últimas eleições em cada país (no Brasil, as de 2002) pela União Inter-Parlamentar (UIP), uma organização de fomento à cooperação entre as câmaras nacionais de mais de 140 países. Ruanda aparece em primeiro lugar.

Os países nórdicos, reconhecidos pela igualdade entre os sexos, ocupam as posições seguintes: em segundo, a Suécia (45,3%); em terceiro, a Noruega (37,9%); em quarto, a Finlândia (37,5%); em quinto, a Dinamarca (36,9%).

Holanda (36,7%), Cuba (36%), Espanha (36%), Costa Rica (35,1%), Argentina (35%) e Moçambique (34,8%) completam os dez países com maior número de legisladoras.

O Brasil assim como os Estados Unidos ficaram abaixo da média mundial de 16,6% de mulheres na composição da câmara dos representantes, com apenas 8,6% brasileiras e 15,2% americanas.

Mundo árabe

A média brasileira é pouco superior à de países árabes que têm 6,8% de mulheres nos Parlamentos.


Ranking
1. Ruanda - 48,8%
2. Suécia - 45,3%
3. Noruega - 37,9%
4. Finlândia - 37,5%
5. Dinamarca - 36,9%
6. Holanda - 36,7%
7. Cuba - 36%
8. Costa Rica - 35,1%
9. Argentina - 35%
10. Moçambique - 34,5%
50. Grã-Bretanha - 19,7%
69. Estados Unidos - 15,3%
107. Brasil - 8,6%
União Inter-Parlamentar
As mulheres representam cerca de metade da população do planeta.

Ruanda, o primeiro da lista, tem uma participação de 48,8% de mulheres, seguida de perto pela Suécia, com 45,3%.

A organização atribui o crescimento da participação feminina em Ruanda às políticas de incentivo adotadas depois do genocídio.

A proporção de mulheres na câmara dos deputados do país saltou de 17,1% em 1998 a 48,8% em 2003.

"Esses resultados podem ser atribuídos ao maior reconhecimento do papel das mulheres durante os períodos de conflito, a inclusão delas nos processos de paz e a criação de assembléias constituintes, que abriram caminhos para mudanças e, em alguns casos, para a introdução de quotas eleitorais para mulheres", diz o relatório.

O Brasil é o país sul-americano pior colocado na lista, atrás de Argentina (9º), Guiana (17º), Suriname (26º), Peru (55º), Venezuela (59º), Bolívia (63º), Equador (66º), Chile (70º), Colômbia (86º), Uruguai (92º) e Paraguai (99º).

A UIP nota a melhora no desempenho de alguns países sul-americanos depois da introdução de políticas de quotas mínimas para candidatas, como aconteceu na Argentina, na Bolívia e na Venezuela.

A proporção de mulheres no Senado brasileiro é um pouco mais alta, de 12,3%, mas como vários países não têm uma estrutura semelhante, não foi elaborado um ranking específico.

A UIP aponta uma tendência mundial de crescimento na participação das mulheres, já que a média global de 16,4% de legisladoras é um recorde.

Entre as outras evoluções registradas pela UIP no relatório estão um aumento no número de legisladoras nas eleições de 2005. Em pleitos ao redor do mundo no ano passado, as mulheres teriam levado pouco mais de 20% das cadeiras, segundo a organização.

Objetivo distante

Em 20 câmaras de deputados do mundo, as mulheres já ocupam mais de 30% das cadeiras, segundo a organização.

No entanto, a UIP destacou que o objetivo de ter um mínimo de 30% de legisladoras em todo o mundo, estabelecido na Conferência das Mulheres da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1995, ainda está distante.

A UIP também elogiou o progresso feito por países que enfrentaram conflitos nos últimos anos, como o Afeganistão, o Burundi, o Iraque e a Libéria.

No Kuwait, mulheres foram autorizadas a se candidatar pela primeira vez em 2005, de acordo com a organização.

A Dinamarca e a Alemanha registraram pequenas reduções na proporção de mulheres eleitas para o Parlamento no ano passado, enquanto no Egito apenas 2% dos eleitos eram mulheres.

De acordo com a UIP, o número de mulheres legislando também caiu na Bulgária e nas ilhas Dominica, São Vicente e Granadinas.

Vários países, como a Arábia Saudita, o Bahrein, Quirgistão, Emirados Árabes e Nepal, entre outros, não tinham nenhuma legisladora mulher até o fim de 2005, segundo o relatório.

Escrito por Cesar às 21h06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Racismo no Japão é profundo e sério', diz ONU

Abordar o racismo em outros lugares.
m relatório independente elaborado para a Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu que o problema do racismo é "rofundo e sério" no Japão.
Doudou Diene, um pesquisador contratado pela ONU para pesquisar a respeito de racismo e xenofobia, divulgou o relatório nesta segunda-feira, no final de uma viagem de nove dias pelo país.

Diene viajou para várias cidades japonesas durante sua visita, se reunindo com grupos de minorias e visitando favelas.

Segundo Diene, o Japão precisa introduzir uma nova legislação para combater a discriminação.

Ele afirmou que apesar do governo japonês ter ajudado a organizar a visita, ele acredita que muitas autoridades não conseguiram reconhecer a seriedade do problema do racismo e da discriminação sofridas pelas minorias que vivem no país.

Diene também afirmou estar preocupado com o fato de políticos usando temas que ele considera racistas ou nacionalistas para apelar para a emoção do público. Ele destacou o tratamento dado a tribos indígenas chinesas e etnias coreanas.

O pesquisador deve recomendar que o governo do Japão institua uma lei contra a discriminação, que, segundo Diene, deve ser elaborada com a ajuda de grupos de minoria.

Diene afirmou que vai esperar que o governo japonês responda aos seus comentários antes de submeter o relatório à ONU.

Escrito por Cesar às 20h42
[   ] [ envie esta mensagem ]




Inclusão reflete riqueza humana

Legislação brasileira é das mais avançadas do mundo

No Brasil, a dificuldade de integração das pessoas que nasceram com a síndrome de Down na sociedade é reforçada pelo desconhecimento de seus direitos como estabelece a legislação do Brasil.
A lei brasileira é uma das mais avançadas no mundo mas, muitas vezes, as pessoas desconhecem seus direitos e perdem a oportunidade de aplicar a lei na prática.

O desconhecimento e o uso da legislação variam de país para país mas, no caso da Grã-Bretanha, uma pessoa que nasce com a síndrome de Down pode ter conta bancária, dirigir, votar e se casar. E vários fazem tudo isso.

Para proteger legalmente os direitos das pessoas que nasceram ou adquiriram alguma deficiência, o governo britânico tem um dispositivo legal chamado de Disability Discrimination Act (DDA) e que cobre todo o tipo de discriminação.

Segundo a presidente da Down's Syndrome Association, Carol Boys, “o DDA existe desde 1996 mas só recentemente as pessoas começaram a usá-lo” .

No Brasil, uma das mais engajadas na causa de propagar o uso da legislação brasileira em favor dos deficientes em geral é a procuradora da República pelo estado de São Paulo, Dra. Eugênia Augusta Gonzaga Fávero.

Inicialmente ligada à área tributária, às vésperas do nascimento do seu segundo filho, Vinícius, a procuradora optou por mudar de campo de ação, trabalhando na área de cidadania, pensando nos direitos de crianças e idosos.

Quando Vinícius foi diagnosticado com a síndrome de Down, o mundo legislativo brasileiro ganhou uma batalhadora pela defesa dos direitos dos deficientes.

Em entrevista à BBC Brasil, a procuradora falou sobre as mudanças no Código Civil que entraram em vigor este ano, o que fazer para denunciar casos de discriminação e a importância da Convenção Interamericana para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, conhecida simplesmente como Convenção da Guatemala, ratificada pelo Brasil em 2001.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2003/08/000000_legislacaodownlmp.shtml
para a entrevista o link é este acima

Escrito por Cesar às 20h40
[   ] [ envie esta mensagem ]




Montevidéu inaugura primeira 'praça gay' da América Latina

explorar alguns assuntos relativos a diversidade sexual abre para varias considerações
A primeira praça da América Latina em homenagem à diversidade sexual foi inaugurada em Montevidéu, no Uruguai.

Montevidéu é a quarta cidade no mundo a ter uma "praça gay", junto com Nova York e São Francisco, nos Estados Unidos, e Amsterdã, na Holanda.

A praça contém um monumento de granito triangular com a inscrição "Honrar a diversidade é honrar a vida: Montevidéu pelo respeito a todo gênero, identidade e orientação sexual".

Segundo o ativista Fernando Fontán, o monumento faz referência ao triângulo que era colocado pelos nazistas para identificar os homossexuais. "Os judeus precisavam usar uma estrela de Davi, os homossexuais um triângulo rosa e as lésbicas e prostitutas, um preto", disse ele.

A iniciativa, proposta por vários grupos ativistas, foi levada ao prefeito de Montevidéu, o arquiteto Mariano Arana, e contou com o apoio das autoridades municipais.

Arana condenou todo o tipo de agressão e disse que "guerras preventivas e assassinatos seletivos" são abomináveis.

"Se hoje a reivindicação dos direitos de gays, lésbicas e travestis é necessária com lugares como este é porque esse direito natural não é reconhecido por toda a sociedade", disse Diana Mines, do Comitê Executivo da Anistia Internacional no Uruguai.

A inauguração da praça na quarta-feira contou com a presença de autoridades do governo de Montevidéu, representantes de diversas entidades que reivindicam a diversidade sexual e ativistas internacionais.

Entre eles estava Víctor Hugo Robles, que se definiu como "o Che Guevara dos gays chilenos" e já percorreu toda a América Latina defendendo sua causa.

Robles disse que viajou ao Uruguai como parte "da luta pelas causas das minorias sexuais".

Mario Carrión, da Suíça, declarou estar assistindo "a um ato de importância para o mundo todo" e afirmou que os gays agora "têm o privilégio de contar com um lugar onde podem falar e ter voz".

Em 2003, entrou em vigor uma modificação no Código Penal do Uruguai que equiparou a violência e o preconceito pela orientação e identidade sexual a outras formas de violência discriminatórias que já eram condenadas.

Nesta quinta-feira, a praça receberá vários músicos para um show de caráter solidário.

Escrito por Cesar às 20h33
[   ] [ envie esta mensagem ]




Como leva para a escola sobre as formas de prevenção da Aids?

Assunto atual que pode ser gerador de varios assuntos.
Uma pessoa jovem é infectada com o vírus HIV, causador da Aids, a cada 14 segundos, de acordo com o Fundo nas Nações Unidas para a população. Aproximadamente 6 mil pessoas com idade entre 15 e 24 anos se contaminam a cada dia.
etade das novas infecções ocorre em jovens com menos de 25 anos e a maioria dos novos portadores do vírus são mulheres de países em desenvolvimento.

Diante dessa situação, qual seria a melhor forma para evitar a transmissão do HIV? Você acredita que campanhas que pregam a abstinência sexual (deixar de fazer sexo) são eficientes? Como você se previne?

O governo deve distribuir camisinhas também para adolescentes e menores de idade? Crianças devem ser informadas de que o preservativo impede a transmissão do vírus HIV?

Escrito por Cesar às 20h28
[   ] [ envie esta mensagem ]




Um tema tabu para a escola

http://www.stromholm.com/index2.htm

link este para o trabalho do fotografo Christer Strömhol, de uma olhadinha e depois me conte...
Ele fotografou transexuais na decada de 60 e terá seu trabalho esposto em Londres juntamente com outros fotografos em uma retrospectiva ddo Século XX.
Talvez uma proposta para abordar outras formas de orientação exual na escola, neste caso transexualidade.

Escrito por Cesar às 20h14
[   ] [ envie esta mensagem ]




Um monte de assunto....

http://http://www.unesco.org.br/areas/pesquisa/areastematicas/index_html/mostra_documento

Vou buscar mais assuntos mas para quem quiser dar uma olhada.....



Categoria: Link
Escrito por Cesar às 21h41
[   ] [ envie esta mensagem ]




Cultivando vida, desarmando violências

Assunto contemporâneo para levantar em sala, pois estamos todos sugeitos a ela, não é só com o vizinho

Cultivando vida, desarmando violências é um estudo que tem o objetivo ampliar a visibilidade social de experiências no trabalho com jovens - particularmente aqueles em situação de pobreza - no campo da arte, cultura, cidadania e esporte.

Foi realizado em dez Estados - Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente nas regiões metropolitanas e capitais – e resultou em um banco de dados com mais de 300 ações e projetos voltadas para jovens, dos quais 30 foram analisados em profundidade no livro.

Nesse sentido, pode-se dizer que esta é uma pesquisa que tem a intenção de contribuir para a difusão de uma nova perspectiva sobre exclusão social e sobre vulnerabilidades, bem como para a modelagem de políticas públicas, enfatizando-se a participação do jovem como produtor e como consumidor cultural.

Um dos principais achados do estudo é que a arte, o esporte, a educação e a cultura são elementos estratégicos de combate à violência, assim como se constituem em incentivos para que os jovens se mantenham afastados de situações de perigo - sem negar, contudo, os sentimentos de afirmação positiva de suas identidades.

O estudo enfoca o cotidiano de jovens que vivem em bairros populares, revelando as restrições de acesso a lazer, esporte e cultura a que estão submetidos. Apesar disso, a pesquisa indica que, ao mesmo tempo em que os jovens de camadas populares têm acesso limitado aos bens culturais, eles detêm modos alternativos de expressão, inclusive em oposição à violência. O rap, por exemplo, aparece, simultaneamente, como canal de expressão da revolta e da identidade social juvenil.

Registram-se na pesquisa, distintos testemunhos de jovens que se afastaram do consumo de drogas e da violência, por se darem conta, com a colaboração dos educadores dos projetos dos quais participam, que há uma incompatibilidade entre o consumo de drogas e a dedicação às atividades artísticas, por exemplo. Cultivam-se nas experiências, mudanças de mentalidade, auto-estima e valores éticos, sem camuflar a realidade em que vivem.

Ressalta-se em várias partes desse estudo, que um dos temas que se voltam para a educação e cidadania é o reconhecimento, por parte dos jovens, de que são sujeitos de direitos. Eles também se percebam também como sujeitos que podem produzir atividades culturais, abrindo mentalidades para valores positivos e para a vida.

Escrito por Cesar às 21h38
[   ] [ envie esta mensagem ]




Juventudes e sexualidade

Um assunto para trabalhar

O livro Juventudes e sexualidade resulta de uma pesquisa realizada em 13 capitais (Belém, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória) e no Distrito Federal.

Abrange diferentes aspectos da vida sexual dos jovens, tais como a iniciação sexual, comportamentos diversificados como o “ficar” e o namorar, a iniciação sexual cada vez mais precoce, o conhecimento e as informações que possuem sobre métodos anticoncepcionais, de prevenção da gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

No livro também se faz uma discussão sobre como os jovens encaminham as negociações entre eles a respeito da utilização desses métodos, além de problemáticas como a gravidez juvenil e o aborto. Analisa-se ainda, a partir de diálogos com os adultos, os diversos tipos de violência e abordagens desenvolvidas pela escola a respeito da sexualidade.

A pesquisa indica que os jovens, apesar da precocidade da vida sexual, tendem a ter contatos com apenas um parceiro - o que remete a um questionamento do senso-comum sobre a suposta “promiscuidade” sexual juvenil.

A gravidez juvenil é um tema de destaque no estudo: a maioria dos alunos e professores afirmam ter contato com adolescentes grávidas nas escolas.

No que diz respeito à violência, mostra a pesquisa, muitos jovens ainda estão vulneráveis e já sofreram violências de várias ordens (tais como assédio, estupro e discriminação por conta de gênero e opção sexual).

A discriminação em relação aos homossexuais é um aspecto de grande relevância que aparece em dados como o seguinte: cerca de um quarto dos alunos afirma que não gostaria de ter um colega homossexual.

A pesquisa também indica uma certa vulnerabilidade negativa dos jovens no campo da sexualidade. Nesse sentido, faz-se necessário a implantação de políticas públicas, assim como o auxílio do ambiente escolar para suprir a carência de informação do jovem acerca da sexualidade.

Entretanto, além das vulnerabilidades negativas, percebe-se as “vulnerabilidades positivas” entre os jovens, como a impulsividade e as curiosidades pelas possibilidades do seu corpo e das relações com o parceiro.

Finalmente, também foram registrados na pesquisa questionamentos sobre estereótipos, tabus, preconceitos e a vontade de saber e construir relacionamentos mais ricos e afetuosos, atribuindo sentidos positivos para as relações.

Escrito por Cesar às 21h36
[   ] [ envie esta mensagem ]




Sitio da UNESCO

http://www.unesco.org.br/publicacoes/livros/educatransdisci/mostra_documento

O Sitio da UNESCO para complementar



Categoria: Link
Escrito por Cesar às 21h33
[   ] [ envie esta mensagem ]




Mais uma para conferir

http://www.cacula.com/cacula/cafeescola/apresentacao/arte.pdf

Material sober transdiciplinaridade



Categoria: Link
Escrito por Cesar às 21h21
[   ] [ envie esta mensagem ]




Para conferir

http://http://www.chla.ufal.br/artes/nace/

Site do Arte na Escola sobre transdiciplinaridade



Categoria: Link
Escrito por Cesar às 21h15
[   ] [ envie esta mensagem ]




Video no youtube pra vc!

http://http://www.youtube.com/watch?v=0wLuwL_Giok

um video sobe arte na esola e a formaçõ de valores



Categoria: Link
Escrito por Cesar às 21h23
[   ] [ envie esta mensagem ]




inicio do texto Interdisciplinaridade na educação Arte contemporânea, transdisciplinaridade e Arte-educação


Maria Beatriz de Medeiros

Os artistas, aos poucos, foram aprendendo a rapidamente incorporar, a fazer uso das tecnologias disponíveis. Isto cada vez mais imediatamente. Podemos citar os impressionistas pintando ao ar livre com o auxílio de tintas industrializadas e vendidas em tubos de alumínio que facilitam o transporte. Podemos citar Cezanne vendo a natureza formada por planos e cilindros utilizando-se de espátulas industrializadas. Podemos citar Picasso fazendo colagem com pedaços de jornal. Podemos citar Marcel Duchamp tomando definitivamente, como obra de Arte, o objeto industrializado, ainda que assinando-o, logo transformando-o.

A meu ver, a Pop-Art dá a partida para a utilização maciça, utilização positiva, dos materiais industriais, desde a utilização repetitiva de técnicas de impressão, até então utilizadas apenas para produções industriais (serigrafia, off-set), até as tintas automotivas, passando por pratos, cortinas de plástico... Dando, ainda, partida para a utilização crítica do lixo da sociedade (e) da sociedade do lixo.



Escrito por Cesar às 21h11
[   ] [ envie esta mensagem ]





Então toquei em dois pontos aos quais teremos que voltar: as utilizações positivas e críticas de técnicas e objetos industrializados, e a linguagem artística específica de cada técnica.

Em se tratando de Arte-Educação teremos que voltar, ainda, aos objetivos deste Seminário de "Arte-Educação", que tem como subtítulo "A Transdisciplinaridade Possível".

Cada nova técnica é criada com determinados objetivos. A litografia foi inventada para resolver os problemas dos altos custos da tipografia para a impressão de livros; a fotografia para resolver, definitivamente, o problema ou a solução da representação perspectiva. O rádio foi desenvolvido para a comunicação militar à distância, o computador para agilizar soluções de problemas matemáticos, para computar, ou ainda, para ordenar como dizem os franceses: ordinateur. Acoplado à tecnologia da televisão, o computador foi inicialmente utilizado para visionar campos inimigos. Estes objetivos são o que chamamos de "a positividade das tecnologias", objetivos para os quais foram criadas.

Vou dar aqui um exemplo mais palpável, literalmente palpável. Para fazermos Arte com terras (vermelhas, pretas, arenosas, férteis, ímpares) precisamos compreender as ligas possíveis de cada terra, sua solubilidade, as capacidades de modelagem, de secagem, suas possibilidades de misturar-se à outras terras, precisamos conhecer as temperaturas que suportam, conhecer suas propriedades químicas... Para fazermos Arte com terras faz-se necessário entender as linguagens destes materiais para revelá-los, para revelarmo-nos, e para revelar uma compreensão do mundo ímpar desfraldando todos os possíveis da matéria. Para fazer Arte com terras é preciso dominar o material da mesma forma como faz-se necessário esta compreensão para realizar um trabalho com as diferentes tecnologias com as quais somos confrontados. Estas tecnologias nos moldam como moldamos terras. Necessitamos dominá-las até se deixar dominar, detê-las quando o êxtase ainda quiser se fazer expandir, e entregar-se quando o suor inundar o confronto.

Conhecer implica demitizar, derrubar o mito imprescindível (?) [Sim, o mito é imprescindível, mas para falar a linguagem do material artístico é preciso desnudá-lo, para poder estar com, para poder ver; é preciso penetrá-lo na sua essência, sem aí depositar qualquer culto. Conhecer a fundo uma técnica permite questionar a positividade desta, aqueles objetivos primeiros, e, assim, só assim, revelar sua linguagem específica. Costumo dizer: Conhecer permite tratar com, tratar de, maltratar e trair. Me repito: para fazermos Arte com terras faz-se necessário entender suas linguagens, revelá-los, para revelarmo-nos, e revelar uma compreensão do mundo ímpar, descobrindo as especificidades, os canais que permitem o contato com esta matéria. E, como falo de tecnologias, faz-se necessário entender as linguagens das tecnologias para descobrir os canais que permitem o contato, não mais com o material mas com o imaterial. Cada nova tecnologia modifica o conhecimento que tenho de mim mesma (o espelho é uma tecnologia e quando nele me vejo compreendo-me sob sua ótica. A fotografia, o vídeo nos redimensionam), cada nova tecnologia modifica o conhecimento que tenho do outro, do outro e do outro, e consequentemente o conhecimento que tenho do mundo que me envolve, e este é, a cada dia mais, um todo, um todo globalizado. A Arte, necessariamente, é reflexo e reflexão sobre nossa realidade tecnológica.

Estamos falando das tecnologias que nos envolvem, me refiro à tecnologias de produção de alimentos (maçãs, tomates e alfaces são tecnologias), me refiro à automóveis, bens de consumo, eletrodomésticos, me refiro à telefones, computadores ligados em redes comunicacionais, à vídeo-games... Para falarmos das tecnologias que nos envolvem, para falarmos de nosso quotidiano gostaria de tomar emprestado o termo utilizado por Fred Forest(1) em 1983, quando este funda o "Movimento da Estética da Comunicação", este Movimento foi apresentado por Mario Costa(2) como "uma reflexão filosófica sobre a nova condição antropológica e, consequentemente, sobre as novas formas de vivências estéticas instauradas pelas tecnologias comunicacionais, bem como sobre o destino reservado, nessa nossa situação, às categorias estéticas tradicionais (forma, beleza, sublime, obra, gênio...)

Tentemos então ver o que há, a mais, além de reflexão filosófica, condição antropológica, vivências estéticas, tecnologias comunicacionais, forma, beleza, sublime, obra, gênio, por trás do termo "Estética da comunicação": A Estética é uma das disciplinas da Filosofia. Toda a História, toda a evolução do conceito de estética deveria ser re-analisada, a partir de parâmetros contemporâneos, assim como as categorias estéticas redimensionadas, o melhor exemplo é o tempo como elemento da linguagem artística. A Estética pensa, tanto o belo da natureza, quanto a Arte. Pensando o belo da natureza deveríamos, hoje, chegar até à Ecologia. Na Arte vemos cada dia mais se estreitarem os laços entre Artes visuais, Artes cênicas e música: Performance, Instalações, Vídeo-arte, Arte interativa via redes de comunicação. Arte e Arquitetura: todo o contexto da galeria está em cena quando fazemos uma instalação. A Arte estreita, cada dia mais, os laços com as indústrias: das tintas às máquinas pesadas se tornam objetos estéticos, passando por objetos de uso dos quais, por vezes, esquecemos as cargas tecnológicas. A Arte implica inserção em um contexto sociológico, e antropológico como quer Mario Costa. Arte e Comunicação são linguagens (retórica, sintaxe, gramática), ainda que a Arte seja, por vezes, linguagem da ordem do grito. Os meios de comunicação atuais envolvem tecnologias audio-visuais e Ciência da computação (lógica e matemática). Abraçando o planeta, com estes meios, somos levados à pensar políticas e economias internacionais, e, consequentemente, nos vemos envolvidos no incessante processo de Globalização. Nosso espaço atual, o ciberespaço (Roy Ascott e Pierre Lévy) é hiper-transdisciplinar.

Nossa contemporaneidade está toda plena de tecnologias, e estas tecnologias envolvem, como vimos, diferentes, senão todas, as disciplinas do conhecimento humano (Estética, Antropologia, Sociologia, Comunicação, Ecologia, linguagem,...). E, a Arte, necessariamente, é reflexão e reflexo da nossa realidade, uma realidade "grávida de um avião"(3), grávida de tecnologias. Seria importante realizar, aqui, uma reflexão sobre o trabalho em grupo, condição sine quoi non, para se realizar um trabalho com Arte e tecnologias complexas, no entanto, não desejo muito me estender.

Quanto à Arte-educação, é imprescindível dar aos alunos as possibilidades de trabalhar com estas linguagens contemporâneas da Arte que são as suas, com as quais nasceram e que mitificam, por desconhecê-las; e que mitificam como deseja a mídia. A mídia sabe que o mito gera desejo, um desejo insano que só o compreender pode vencer, e por isso mesmo alimenta o mito. Com as tecnologias da imagem-movimento contemporâneas, os jovens estão, definitivamente, envolvidos: fotografia, televisão, vídeo, vídeo-game, diferentes softwares para computadores, e as redes de comunicação. Preparar cidadãos, para o futuro, significa preparar cidadãos para estarem cada vez mais envolvidos por estas, e outras, tecnologias.



Escrito por Cesar às 21h11
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Arte e cultura, Gastronomia
Outro -
Histórico
  19/11/2006 a 25/11/2006
  12/11/2006 a 18/11/2006
  05/11/2006 a 11/11/2006
  22/10/2006 a 28/10/2006
  15/10/2006 a 21/10/2006
  01/10/2006 a 07/10/2006
  24/09/2006 a 30/09/2006
  17/09/2006 a 23/09/2006
  10/09/2006 a 16/09/2006


Categorias
  Todas as Categiorias
  Link
  Evento
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
  Blog do Denny
  Blog da Elis
  Blog da Valeria
  Blog do Marcos
  Blog da Manu
  Blog da Zuzu
  Blog da Ju
  Blog da Jana
  Blog da Li
  Blog da Pri
Votação
  Dê uma nota para meu blog